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Aluno formado no Interativo usou seus conhecimentos durante a graduação para ajudar pessoas em situação de vulnerabilidade

Engenheiro mecatrônico desmistifica ideias difundidas a respeito da formação de empresas e mostra oportunidades no campo social

Empoderar pessoas em situação de vulnerabilidade social através da atividade empreendedora. Esse é um dos objetivos da Enactus1, um grupo extracurricular internacional com participantes em diversas universidades espalhadas pelo Brasil e do qual Lucas Hehl fez parte durante a graduação, participando de projetos2 que vão da melhoria de vida em um assentamento rural em São Carlos à formação de mulheres para trabalhar na construção civil e em negócios gastronômicos. Na palestra concedida no Colégio Interativo, onde estudou, o hoje Engenheiro Mecatrônico formado na USP de São Carlos3 comenta como as atividades extracurriculares foram importantes em sua experiência acadêmica

Lucas, ao fundo, com sua turma no ensino médio

Além do período em que participou da Enactus, Lucas lembra do bom desempenho de sua equipe na competição “7Days Challenge”4, um desafio organizado por alunos da UFSCar e USP de início de startups com temática de vulnerabilidade social. Em apenas sete dias, o ex-aluno do Interativo desenvolveu junto com outros amigos um aplicativo de acessibilidade para surdos, denominado “Wave Hands”. Ele comenta que o trabalho envolveu entrevistas de pessoas com deficiência que trabalhavam à época na Electrolux – empresa referência em inclusão e diversidade5 -, num estudo com características similares à metodologia etnográfica, usada na Antropologia. Nela, analisam-se a cultura e o comportamento de determinados grupos sociais, num contato intersubjetivo, com trabalho de campo para coleta de dados. A iniciativa do grupo de Lucas ficou em 2º lugar na competição em 2016.

Principais diferenças entre o empreendedorismo social e o tradicional

O palestrante explica que diferentemente do que é normalmente difundido, iniciar uma empresa não é simplesmente “ter uma boa ideia”. “O objetivo do empreendedor é encontrar um problema que incomoda um certo grupo de pessoas”, resume.

No caso específico do viés social, ao utilizar seus conhecimentos para buscar soluções, o empreendedor deve enxergar nas vulnerabilidades sociais o foco de seu trabalho e ter como objetivo não a formação de empresas, mas o empoderamento.

Características do empreendedorismo social

Utilizando todo o aprendizado adquirido durante a graduação – como o Design Thinking -, Lucas e mais dois amigos criaram uma startup chamada “Bear Labs”. A falta de recursos financeiros iniciais e a sobrecarga de funções foram dificuldades sentidas pelo jovem empreendedor, que para ele serviram de aprendizado.

Lucas com seus amigos da Bear Labs

Sem romantizar o processo, ele explica que empreender dá trabalho, não é fácil e pode dar muita dor de cabeça, mas pode ser muito recompensador. “Converse, empatize e compreenda as dificuldades das pessoas. Uma oportunidade nova pode aparecer nos lugares mais inesperados”, finaliza.

Lucas durante sua apresentação, em 2022

Texto: Renan Augusto Trindade

Revisão: Pedro Guilherme Orzari Bombonato

Fotos: Talita Barboza